EU SOU

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Se até o SiLêNcIo guarda em si pAlAvRaS caladas. O que deve haver sem as palavras?

...Nos meus intervalos, eu passo por aqui...

Revelo a colheita do que plantei durante o dia,

Faço uma breve análise do que está em mim ou do que se passa ao meu redor,

Ou simplesmente deixo fragmentos de sonhos...

ATENÇÃO:


Os textos de minha autoria são protegidos pela lei n° 9.610 de 19-02-1998, “lei dos direitos autorais”.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Quietude

Hoje é um dia perfeito pra vestir aquele moletom de toca e ficar quietinha, lendo Fernando Pessoa...
Acho bom fazer Silêncio de vez em quando, pra refletir também, mas hoje estou apenas quieta. O clima está propício e o tom de voz das pessoas parece acompanhar a temperatura que baixou. Difícil ter momentos assim, que podemos curtir um pouco de quietude, sem nos preocupar com o andar acelerado dos compromissos. Faço parte desta geração Ansiedade, mas me permito ainda em alguns momentos apreciar a dinâmica do tempo...


Da mais alta janela da minha casa 
Com um lenço branco digo adeus 
Aos meus versos que partem para a humanidade. 

E não estou alegre nem triste. 
Esse é o destino dos versos. 
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos 
Porque não posso fazer o contrário 
Como a flor não pode esconder a cor, 
Nem o rio esconder que corre, 
Nem a árvore esconder que dá fruto. 

Ei-los que vão já longe como que na diligência 
E eu sem querer sinto pena 
Como uma dor no corpo. 

Quem sabe quem os lerá? 
Quem sabe a que mãos irão? 

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos. 
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas. 
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim. 
Submeto-me e sinto-me quase alegre, 
Quase alegre como quem se cansa de estar triste. 

Ide, ide de mim! 
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza. 
Murcha a flor e o seu pó dura sempre. 
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua. 

Passo e fico, como o Universo.


Perfeitamente... por Fernando Pessoa!

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